Palestra ministrada por Glauber Uchoa do Governo do Pará em Fortaleza durante o primeiro Fórum Música: cultura em movimento em Fortaleza dia 15 de agosto 2007.
Vou procurar obedecer a ordem da discussão estabelecida por Marinilda mas quero que vocês notem as conexões que são feitas entre os temas que estamos abordando.
1 - Identidade e diversidade em movimento.
Minha reflexão é feita sob a perspectiva do trabalho que desenvolvi nos últimos anos que entende cultura e aqui, no caso específico, música, como uma atividade produtiva que tem um valor de troca, que pode ser considerado produto, que pode e deve ser comercializado, que é fruto do trabalho e desenvolvimento artístico, que é feito por pessoas que dedicam esforço físico e intelectual nessa produção e que portanto, podem pleitear ser remuneradas por esse trabalho.
Trabalhei junto a artistas, produtores e empresários do setor da música discutindo processos de empreendedorismo, mercado, produção, distribuição e também fruindo muito da excelente música que é feita no Brasil, particularmente no norte e nordeste.
Nos últimos quatro anos auxiliei a Associação dos Produtores de Disco do Ceará - Prodisc a fazer esta Feira da Música e tenho um grande orgulho de poder ser convidado para estar hoje aqui com vocês para dividir algumas impressões, convicções e incertezas sobre o que é interesse de todos que estão aqui.
Acho que esse é um projeto importante que surgiu de muita discussão e reflexão e primordialmente de uma necessidade. Queria lembrar que coisas assim surgem de necessidades que são detectadas no caminho da nossa história.
A necessidade era: precisamos achar meios de nos manter com uma produção artística de qualidade com um consumo e mercado limitados mas com potencial criativo ilimitado. No meio da história que já tem seis anos
2 - Políticas públicas num palco em movimento
Quando falamos de políticas públicas falamos de governo e eu queria dividir com vocês uma constatação. A perguta que nos fazemos é: Como temos que lidar com o governo?
No governo vocês vão se deparar com duas faces de uma mesma moeda, ou duas versões de um fato ou, para tornar a coisa mais próxima de nós, apreciadores de música, um anacrônico lado A e lado B.
Existe o governo que é uma entidade, uma superestrutura com um emaranhado de normas, leis, obrigações, interesses e tantas outras coisas. E existem as pessoas que trabalham no governo também com suas idiosincrasias, suas personalidades e interesses.
Temos que saber que o governo não tem interesses que se compatibilizam com os seus interesses. Nunca isso vai acontecer. O interesse do governo é se auto-promover. Não vamos ficar imaginando que fazer lei de incentivo, patrocinar tal ou qual evento, redime o governo de sua condição de não interessado, esqueçam. Não há alma caridosa.
Olhem que nessa mesa eu sou o único representante ligado a governo.
O governo existe para prestar serviços a sociedade mas a sociedade tem que brigar muito para obtê-lo. O que sempre gosto de observar é que há diferença sim entre um governo de direita e um governo de esquerda, mas não quero aqui transformar esse espaço em um grande debate político.
As pessoas que trabalham no governo, que é o meu caso, essas sim podem ter um ideal de contribuição, colaboração com alguns interesses da sociedade. Cabe então ao vocês, nessa relação com o governo, saber lidar com as duas faces desse vinil. Tem que saber como precionar politicamente o governo e tem que saber como manter um nível de diálogo com as pessoas que estão no governo. Tem que saber jogar nas duas faces dessa realidade sabendo
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