Palestra: Prof. Dilmar Miranda
Publicado em: Junho 3rd, 2008 às 11:22 pm por admin

Diversidade e Identidade em movimento

Fala do professor Dilmar Miranda sociólogo, professor da Universidade Federal do Ceará e pesquisador da área musical no Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza CE dia 29/ter 18h às 20h. Estavam presentes ao seu
lado na mesa como debatedores André Marinho coordenador da área musical do CCBNB-Fortaleza,Funcionário do BNB no cargo de consultor interno, músico, compositor, curador e coordenador geral do I e II Festival BNB da Música Instrumental, além do I e II Festival BNB do Rock-Cordel; e Pádua Pires coordenador de música da Funcet ­ Fundação de Cultura Esporte e Turismo da cidade de Fortaleza

A experiência estética da escuta diversificada

O desvelamento do rico acervo musical popular brasileiro, ocultado por uma influente produção contemporânea, voltada basicamente para o consumo massivo da nossa música, e regulada por interesses exclusivos de mercado,
tem mostrado que a velha tradição, quando revelada para as novas gerações, transforma-se em algo novo, e adquire uma  importância e frescor, até então, desconhecida para elas. Dessa forma, uma incursão em diferentes expressões e épocas do moderno canto popular brasileiro, mediante mecanismos que possibilitem o exercício da escuta diversificada, por meio
de sua inserção no universo cultural da canção brasileira, constitui uma importante etapa no processo de formação das gerações mais jovens, perversamente submetidas a modelos que parecem obedecer a uma espécie de estética única.

Tal estética nos coloca diante de um imenso paradoxo da cultura contemporânea. De um lado, existem infinitas possibilidades de escuta, onde podemos nos colocar diante de diversas culturas musicais, provocadoras de uma espécie de estranhamento estético, como as chamadas músicas étnicas (as vozes búlgaras, os monges tibetanos, a música céltica,
árabe, andina ou bosquímana), além do jazz, blues, gregoriano, música afro-caribenha, medieval, dodecafônica, concreta, barroca, renascentista.

Teórica e tecnicamente, é possível ouvir de tudo. Se tal se efetivasse, teríamos infinitas possibilidades de abertura para múltiplos códigos musicais correspondentes a diferentes formas da experiência humana, portadores das intenções e sentidos estéticos destas várias culturas. Já a lógica da indústria cultural, pelo contrário, reduz esse universo, ao
produzir mercadorias estandardizadas, infinitamente repetitivas. O conhecimento de esquemas padronizados e familiares é o reconhecimento da fórmula comercial substituindo a forma estética. Além de realizar seus objetivos de lucro, tal indústria atende também a uma demanda psicológica. O eterno retorno ao sempre igual proporciona uma sensação de segurança. E
o reconhecimento do familiar é a essência da escuta massiva. Uma vez uma fórmula assegurada, a indústria se encarrega de promovê-la sem cessar.

Daí seu sucesso.

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Palestra : Glauber Uchoa
Publicado em: Janeiro 16th, 2008 às 9:35 pm por admin

Palestra ministrada por Glauber Uchoa do Governo do Pará em Fortaleza durante o primeiro Fórum Música: cultura em movimento em Fortaleza dia 15 de agosto 2007.

Vou procurar obedecer a ordem da discussão estabelecida por Marinilda mas quero que vocês notem as conexões que são feitas entre os temas que estamos abordando.

1 - Identidade e diversidade em movimento.

Minha reflexão é feita sob a perspectiva do trabalho que desenvolvi nos últimos anos que entende cultura e aqui, no caso específico, música, como uma atividade produtiva que tem um valor de troca, que pode ser considerado produto, que pode e deve ser comercializado, que é fruto do trabalho e desenvolvimento artístico, que é feito por pessoas que dedicam esforço físico e intelectual nessa produção e que portanto, podem pleitear ser remuneradas por esse trabalho.

Trabalhei junto a artistas, produtores e empresários do setor da música discutindo processos de empreendedorismo, mercado, produção, distribuição e também fruindo muito da excelente música que é feita no Brasil, particularmente no norte e nordeste.

Nos últimos quatro anos auxiliei a Associação dos Produtores de Disco do Ceará - Prodisc a fazer esta Feira da Música e tenho um grande orgulho de poder ser convidado para estar hoje aqui com vocês para dividir algumas impressões, convicções e incertezas sobre o que é interesse de todos que estão aqui.

Acho que esse é um projeto importante que surgiu de muita discussão e reflexão e primordialmente de uma necessidade. Queria lembrar que coisas assim surgem de necessidades que são detectadas no caminho da nossa história.

A necessidade era: precisamos achar meios de nos manter com uma produção artística de qualidade com um consumo e mercado limitados mas com potencial criativo ilimitado. No meio da história que já tem seis anos

2 - Políticas públicas num palco em movimento

Quando falamos de políticas públicas falamos de governo e eu queria dividir com vocês uma constatação. A perguta que nos fazemos é: Como temos que lidar com o governo?

No governo vocês vão se deparar com duas faces de uma mesma moeda, ou duas versões de um fato ou, para tornar a coisa mais próxima de nós, apreciadores de música, um anacrônico lado A e lado B.

Existe o governo que é uma entidade, uma superestrutura com um emaranhado de normas, leis, obrigações, interesses e tantas outras coisas. E existem as pessoas que trabalham no governo também com suas idiosincrasias, suas personalidades e interesses.

Temos que saber que o governo não tem interesses que se compatibilizam com os seus interesses. Nunca isso vai acontecer. O interesse do governo é se auto-promover. Não vamos ficar imaginando que fazer lei de incentivo, patrocinar tal ou qual evento, redime o governo de sua condição de não interessado, esqueçam. Não há alma caridosa.

Olhem que nessa mesa eu sou o único representante ligado a governo.

O governo existe para prestar serviços a sociedade mas a sociedade tem que brigar muito para obtê-lo. O que sempre gosto de observar é que há diferença sim entre um governo de direita e um governo de esquerda, mas não quero aqui transformar esse espaço em um grande debate político.

As pessoas que trabalham no governo, que é o meu caso, essas sim podem ter um ideal de contribuição, colaboração com alguns interesses da sociedade. Cabe então ao vocês, nessa relação com o governo, saber lidar com as duas faces desse vinil. Tem que saber como precionar politicamente o governo e tem que saber como manter um nível de diálogo com as pessoas que estão no governo. Tem que saber jogar nas duas faces dessa realidade sabendo

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