Situando a discussão no século XXI e citando o sociólogo francês Bernard Lahire, Marinilda coloca que cada ser “é um ser consumidor; não existem mais classes sociais de consumidores, mas comunidades de consumidores, indivíduos consumidores”. A questão, para Bertolette-Boulay é o papel do consumo nessa conjuntura: “ele, o consumo, está sendo revisto por essas novas estruturas sociais que as novas interfaces digitais também vêm ajudando a construir”.
Identidade e diversidade em movimento
Cada país e cada ser humano possui suas raízes profundas. Porém, as novas interfaces digitais nos levam a fazer intercâmbios entre essas raízes profundas e novas “raízes aéreas”, o que faz com que as culturas da Terra, como um todo, vão se entrelaçando. Nesse intercâmbio surge a dualidade identidade X diversidade cultural em movimento.
Novas mídias novas criações em movimento
Segundo Marinilda, foi a reflexão sobre as novas mídias digitais que a levou a continuar com o projeto do Guia da Música em Movimento: “tentamos entender o que está acontecendo em cada região”. A diversidade cultural global exposta pelas novas mídias e a convergência tecnológica amplia os nossos paradigmas sonoros e proporciona um novo entendimento da musicalidade nessa era digital (internet, downloads, telefonia celular etc.).
Fórum em SOUZA/PB Publicado em:
Setembro 7th, 2008 às 6:05 pm por admin
Ricardo Pinto (Gerente Executivo do Centro Cultural Banco do Nordeste Sousa-PB é graduado em Música pela Universidade Estadual do Ceará e pós-graduado em Arte e Educação pelo Centro Federal de Educação Tecnológica de Fortaleza e formando em Dramaturgia no Instituto de Arte e Cultura do Ceará, tendo participado de algumas obras de audiovisual como roteirista, ator e diretor), Espedito Lopes (maestro, compositor, arranjador, formado pela UFPB como Técnico em Música. Atualmente trabalha como maestro da Banda de Música de São Francisco-PB e como Regente do Coral Canta Auxiliadora, além de projetos paralelos), Ivan Rosendo (compositor, cantor, arranjador e produtor, tem 11 anos de carreira com 3 CDs gravados, produzidos pelo próprio artista).Identidade e diversidade em movimento
A relação entre identidade e diversidade cultural deve ser articulada de maneira particular entre os artistas regionais. De um certo ponto de vista, a identidade tem sido importante aliada para o trabalho musical. No entanto, a grande mídia geralmente determina padrões e exclui o que foge aos seus moldes, o que pode abafar o trabalho dos músicos da região sertaneja paraibana, que se vêem cercados pela difusão de ritmos como o axé baiano e o forró vindo do Ceará. Pensar na diversidade cultural é perceber que há novos autores, em diversas partes do país, que, como eles, têm vontade de criar algo próprio, fugindo das imposições da mídia.
Fórum em FORTALEZA Publicado em:
Setembro 2nd, 2008 às 11:37 pm por admin
HENILTON
Políticas públicas
“Entendemos que um centro cultural é muito mais do que uma casa de espetáculos”, afirma Hamilton. “Eles são uma forma permanente de discussão sobre o fazer artístico das regiões na quais estamos instalados”. E isso vai tanto ao encontro do próprio papel do Banco do Nordeste quanto ao desenvolvimento da região: o trabalho dos centros culturais está muito sintonizado com o trabalho do banco de desenvolvimento. Poder-se-ia até mesmo estranhar o fato de um banco (uma instituição financeira) atuar na área cultural, mas “o trabalho do Banco do Nordeste”, diz Hamilton “deve ir ao encontro daquilo que o banco faz em toda a região”.
Existem atualmente três centros instalados - um em Fortaleza, outro em Souza e o terceiro em Cariri - e há um planejamento (a longo prazo) de estender essa ação para outros municípios: em perspectiva estão Vitória da Conquista (BA), Montes Claros (MG), Teresina (PI), “que carece de um equipamento como esse, de um centro cultural como esse”, diz Hamilton. Estão sendo desenvolvidos estudados para verificar se há possibilidade da instalação de um centro em Natal e também há pedidos dos governos dos estados de Sergipe e Alagoas.
Anastácio Braga (gerente-executivo do CCBNB-Cariri), Ibbertson Nobre (pianista e arranjador caririense, dono de estúdio musical e técnico de gravação), Isaura Rute (musicista e professora de música do Complexo Cultural Schoenberg) e Marinilda Bertolete Boulay.Identidade e diversidade em movimento
Cariri é um epicentro cultural do Nordeste, por conta de sua localização geográfica privilegiada, segundo Ibbertson Nobre. Um local com muita história, e que consegue produzir artistas desde a música tradicional de raiz, reisado, passando pelas orquestras de rabeca ao reggae, trazendo uma pluralidade única.
O perfil dos artistas é o mais variado: no geral, possuem uma visão cristalina dos novos paradigmas, e da diversidade cultural a que estamos expostos, são capazes de perceber as interferências, e no trabalho musical, aproveitar a fonte da tradição popular muito forte com uma roupagem contemporânea, relendo em novas mídias.
A população do Cariri se interessa muito por música, dizem nossos debatedores. Mas o que fazer com a efervescência que brota nos adolescentes, se o trabalho de formação é quase inexistente, a região oferece poucas políticas públicas? Mesmo sem ensino de nível superior em música, há poucas escolas, mas são particulares, e poucos podem angariar esse custo.
Fórum em BRASÍLIA Publicado em:
Setembro 1st, 2008 às 11:38 pm por admin
Primeiramente gostaria de agradecer por vocês terem vindo, porque sei que estão todos participando do Festival de Música Universitária de Brasília e imagino que deva ser difícil pararem para pensar a música e sua cadeia produtiva. Valeria a pena indagar por que trabalhamos com a idéia de Música e cultura em movimento. Basicamente, porque hoje a música está sendo difundida por novas interfaces, as chamadas interfaces eletrônicas. No mundo musical, toda a cadeia produtiva não é mais como era nas décadas de 80 e 90: na virada desse século, vemos surgirem novas perspectivas de distribuição.O fórum Música e cultura em movimento, no qual estamos inseridos, está diretamente ligado ao Guia do Mercado da Música Brasileira[1], que coordeno em parceria com Bruno Boulay do Escritório da Música Francesa no Brasil e que foi publicado inicialmente em francês (para os franceses poderem trabalhar com os artistas brasileiros) e, depois, fomos autorizados a publicá-lo em português.